quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Fontes

Um dos desafios para o trabalho de conclusão de curso é conseguir fontes. No meu caso, não me vejo entrevistando menos de 30 pessoas para escrever o livro. Muitas delas serão residentes do município, mas haverá historiadores, membros de órgãos do governo, voluntários, dentre outros.

Na visita que fiz no começo do mês tive um inusitado encontro com um grupo da universidade Mackenzie, já na hora de partir (eu e eles). Após um dia cansativo de caminhadas e conversas, cheguei à rodoviária para esperar a partida do ônibus com destino a Taubaté, e encontrei à frente um grupo uniformizado próximo a vários ônibus fretados.

Não pude perder a chance de conversar com eles, e eles se apresentaram. Infelizmente estávamos todos de partida, e não houve tempo para mais do que um minuto de conversa, mas eles me explicaram como entrar em contato com o grupo, e especialmente com o que visitara São Luiz. O grupo faz parte de um projeto de ação social que durante alguns dias do ano visita cidades para realizar trabalhos voluntários. Como me explicaram, São Luiz foi um à parte. Fizeram uma edição especial do projeto para ajudar o município. Mais de 100 pessoas vieram para fazer diversos trabalhos no município, inclusive braçais, limpando casas.

Fiquei contente com o contato, e por ver como as pessoas estão sendo solidárias com os munícipes. Espero que isso dure bastante tempo, pois a tendência é que a cidade caia no esquecimento, e os munícipes voltem a carecer de ajuda. Vou me esforçar para que isso não aconteça.

Apesar da cidade mais limpa, foi complicado andar por lá em minha penúltima passagem. Algumas das casas parcialmente de pé ainda não estavam isoladas, e tendo em câmeras em mãos não pude deixar de entrar em algumas delas. O cheiro da lama e da comida estragada voltaram à tona, e as emoções de ver tudo em minha casa destruído também. Na residência em que vivi havia flores vivas no quintal. Mesmo com o portão trancado, consegui vê-las no fundo devido à forte cor rosa. A casa estava abandonada há mais de um mês, e as flores permaneciam vivas. Parecia uma mensagem que dizia "esperança", e que me levou a chorar.

Em minha última visita à cidade, as flores não estavam mais vivas. Não importa, a boa mensagem é compreendida com apenas um olhar.

Em minhas duas visitas consegui fontes do município. São conhecidos meus, e sinto que por essa razão todos ficaremos mais à vontade: eu para perguntar, eles para responder. Edson e Joelma, donos de uma mercearia que eu e minha mãe frequentávamos, são duas das fontes. Conversei com Edson no final de semana, e por conhecê-lo, achei que estava correto em dizer "você perdeu o que tinha aqui na mercearia e em sua casa, né?"

Ele complementou. "Sim, perdi o que tinha aqui na mercearia, lá em casa, e também o que tinha na outra mercearia, no açougue lá do mercadão (Mercado Municipal), e em um depósito."

Deu vontade de falar palavrões. Se não me engano escapou um.

Outra fonte é o luthier e músico Silvio, que sempre me apoiou para conseguir um espaço com minha banda na cidade. Ele perdeu tudo o que tinha em casa, e não pode retornar para lá. Perdeu também o que possuía em sua loja, e agora está dormindo no andar de cima da casa. A loja foi reaberta recentemente.

Conversei com o coordenador da Defesa Civil no município, José Carlos, e ele aceitou ser entrevistado. Foi na simplicidade. "Pode vir a qualquer hora, que quando tiver uma brecha a gente conversa, não precisa marcar nada não."

Foi tranquilo em me dizer isso, apesar do que ele estava escutando nesse momento. Eu entrei na fila para conversar alguns segundos com ele, e todas as pessoas que estavam antes e depois de mim na fila estavam reclamando de uma suposta ausência no auxílio-aluguel dos moradores. Ele procurou acalmar as pessoas falando que haverá um novo cadastro, com critérios diferentes (pelo que entendi, o primeiro cadastro era para as situações mais críticas).

Passei também pela Prefeitura, crente de que seria em vão. Perguntei à atendente da possibilidade de conversar com a prefeita Ana Lucia, mas é óbvio que ela está sem tempo por ora. Ela me passou o contato do diretor de turismo da cidade, Dudu, que também conheço. Obviamente não vou desprezar o diretor de turismo da cidade, mas mais obviamente ainda não vou desistir de conversar com a prefeita. Eu farei o possível até para conversar com outros políticos. Quem sabe o Serra?

Por ora, é só. Meu professor orientador, Robson Bastos, me indicou outras fontes. Aliás, encontrarei com uma dessas fontes amanhã. Acabei ficar sabendo disso, após receber convite do professor Felício Murade para ir a São Luiz em uma reunião sobre um projeto de jornal que falará do que está acontecendo na cidade. Um dos professores que irá conosco foi indicado pelo Robson. Aliás, esse trabalho todo se encaixará com o meu trabalho. Ah, estou otimista com fontes...

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