quinta-feira, 13 de maio de 2010

Pré-banca

Semana passada passei por algo que os estudantes temem um pouco: a pré-banca.

Nada demais. Os professores leem os anteprojetos, perguntam a quantas anda o trabalho do aluno, e fazem diversas sugestões. No meu caso, sugeriram que eu reduzisse o número de capítulos do trabalho.

A proposta era dividir o livro em 11 capítulos, sendo um relacionado à história do município, outro à enchente, e os outros 9 relacionados a cada mês deste ano até setembro, que seria o limite do limite do limite de tempo que eu teria para acompanhar algo (afinal, não é só acompanhar: é acompanhar, pensar no texto, decupar, digitar, diagramar, e tudo com antecedência para que o trabalho chegue à gráfica).

Propuseram que eu acompanhasse o município, da maneira que sugeri, até julho. Agosto e setembro seriam mais resumidos, e apontarão que o município continua em obras (espero que assim esteja), e que há um longo caminho a ser percorrido ainda. Não há encerramento dessa história no livro, afinal, as obras não acabaram.

Mesmo assim, pretendo continuar a acompanhar bem o que se passa no município para, no mínimo, poder escrever sobre o primeiro ano após a enchente. Aí sim eu teria mais facilidade de lançar o projeto como livro (é claro que isso tudo depois de apresentar o meu TCC acompanhando bem até o meio do ano; depois eu faria as devidas inserções no trabalho para fechá-lo em um projeto diferente).

As ideias foram passadas por mim hoje ao meu orientador, e ele concordou, principalmente com outra sugestão: apesar de a princípio eu pensar mais na reconstrução, darei mais atenção à história da cidade e à enchente, que antes apareciam resumidas no livro.

Algo que é inevitável pela minha maneira de pensar, e que foi comentado pelos professores da pré-banca, é a importância de haver MUITAS fontes da cidade que não sejam os políticos falando de projetos e blablabla. Há de tê-los, mas os comerciantes e moradores da cidade é que estão sentindo as consequências do que se passa ali.

Feitas as devidas trocas no modelo do trabalho, estou me preparando para começar a escrever os primeiros textos. Até o final do mês, provavelmente, terei concluído um capítulo e iniciado ao menos outros dois.

Outro trabalho que estou começando é fazer gravações andando pela cidade. No final do ano, terei um vídeo editado com diversas cenas, de diversos lugares em diversas épocas, para apresentar durante o dia em que exporei o trabalho encerrado aos professores da banca e alunos presentes.

Se for possível, adicionarei trechos do que eu for gravando no blog. Além disso, pretendo fazer posts repletos de imagens da cidade. O primeiro post fotográfico deve sair na próxima semana.

Resumo

Mais de dois meses sem postar... e que isso não se repita.

Esse tempo passou bem rápido, e São Luiz mudou bastante desde a minha última postagem. Não dá para dizer que só positivamente.

Há algumas coisas que, com o passar do tempo, pioraram.

Alguns morros receberam grandes cortes, a fim de dar espaço para a construção de casas populares ou conter possíveis desastres. No entanto, é triste olhar de longe e ver que, o que antes era gramado em um verde vívido, passou a ser um gigante marrom avermelhado sem graça, parecendo feridas no município. É importante saber se esse tipo de ação não é considerada radical, e se não poderia ter sido evitada. Além disso, entender se o corte não prejudica a natureza, visto que parte da terra cortada na rua que ligava a rodoviária ao centro histórico caiu no rio, já assoreado.

Essa rua, totalmente destruída após a enchente, e agora mais interditada ainda pela terra derrubada com os cortes, é transitável apenas para os mais corajosos. Ela levará meses para ser transitável novamente. E, quanto aos morros, não posso prever o que acontecerá. Mais cortes? Tentar transformar o espaço marrom em verde novamente? Os acontecimentos acabam se tornando mais imprevisíveis.

Quanto às estradas rurais, elas estão em constante obra há uns meses. Recentemente passei por uma dessas estradas, vi diversos veículos gigantes "consertando" os trechos, e em alguns locais pelos quais eles ainda não haviam passado houve grande dificuldade de transitar.

É um trabalho sem previsão para conclusão, inclusive porque as estradas rurais sempre foram problemáticas em épocas chuvosas. Ou seja: a chuva retardará as obras, agravará velhos problemas e trará novos.

Os moradores da zona rural deram um jeito de passar pelas estradas. Alguns tiraram dinheiro do próprio bolso emergencialmente no início do ano para que realizassem reparos em trechos fundamentais para sua passagem.

De qualquer jeito, a situação é melhor se comparada ao início do ano, quando diversas famílias ficaram isoladas pelos problemas nas estradas de terra e pontes. Torçamos para que as chuvas nessas partes cessem, para que os serviços de reparo sejam concluídos logo.

O comércio, talvez com o fluxo ainda mais baixo que o normal, ao menos já abriu suas portas. Exceto comerciantes que acharam melhor largar mão da reabertura, os luizenses fizeram de tudo para reabrir os locais o quanto antes. É claro que essa ação custou caro a cada um deles. Alguns fizeram largos investimentos, outros pagaram quantias não tão grandes. Uns conseguiram pagar tudo com as próprias reservas, outros pegaram empréstimos.

A presença de empresas trabalhando na reconstrução da cidade acaba gerando alguma circulação econômica, principalmente em restaurantes. Há restaurantes com movimento semelhante à mesma época no ano passado, sendo alguns deles devido à presença das empresas, que vão em massa aos estabelecimentos.

As pousadas, movidas apenas por turistas que não vão embora no mesmo dia em que chegam, começarão a trabalhar para valer agora. Até recentemente, mal rendia abrir as portas, salvo exceções. A Semana Santa trouxe algum movimento à cidade, mas nada espetacular. Agora, com a Festa do Divino, que começará neste fim de semana, há pousadas com reservas para todos os quartos.

Questões relacionadas a impostos na cidade têm sido bastante discutidas, por exemplo, pela incoerência de se cobrar IPTU de proprietários de casas condenadas, ou até pela situação em que os munícipes se encontravam/encontram, às vezes impossibilitados de pagar as taxas. O problema é que quanto menos a prefeitura arrecada com impostos, menos ações ela pode tomar, dependendo exclusivamente do dinheiro vindo de fora, geralmente destinado a grandes obras.

O fórum da cidade está funcionando de maneira improvisada. Há trailers estacionados do lado de fora do prédio com serviços de apoio jurídico e bancário. Em um espaço bagunçado dentro do prédio há funcionários digitalizando todos os documentos recuperados após a enchente. São Luiz se tornará a primeira cidade do Vale do Paraíba a ter todos os documentos digitalizados.

Nas questões patrimoniais, os munícipes estão tendo apoio para elaborarem projetos de reconstrução dos casarões. O problema de bancar a obra de um casarão centenário com problemas ainda existe.

Nas igrejas mexe-se carinhosamente em cada peça retirada dos escombros da igreja. Grande parte dos objetos perdidos na igreja matriz da cidade foram encontrados, além da inusitada descoberta de uma cápsula do tempo datada de 1927.

Esse é um resumo do que se vê rapidamente na cidade. Há muito o que se falar, tanto positiva quanto negativamente. Por ora, isso, redigido a partir do que vi e apurei para as matérias do Jornal da Reconstrução e de entrevistas para o TCC, deve esclarecer um pouco da atual situação da cidade. Inclusive, deixarei o link para as cinco edições do jornal:

Ano I - nº 1 - 1ª Quinzena de março

Ano I - nº 2 - 2ª Quinzena de março

Ano I - nº 3 - 1ª Quinzena de abril

Ano I - nº 4 - 2ª Quinzena de abril

Ano I - nº 5 - 1ª Quinzena de maio

PS: os links para as edições do JR são apenas para contribuir com a disponibilização de informações aos leitores. Adoraria ouvir críticas construtivas a respeito do veículo, mas não no blog, cujo foco não é o jornal, e sim o TCC.